terça-feira, 15 de julho de 2008

Sobre batuque e pandeiros mancos.

Pandeiro, pão-Demônio


Velho pandeiro que agora espanco,
velho, de couro velho e um prato manco,
madeira machucada que o tempo marcou,
em você marco o ritmo, a raiva e o que aqui passou.

O tapa é o forte que me abate.
O ritmo é a alegria - que esta não me mate.
O som quase típico, o copo inteiro etílico,
amigos rindo, alguém cantando e eu espanco.

Estanco o que de mim se aflora.
Nasceu a raiva e o nervosismo sua presença implora.
Morre aqui nesse tapa, meus devaneios,
meus medos, e em meus dedos, minha demora.

Morre o pensar, o penar, o esperar.
Morre ela e tudo o que dela minha solidão explora.
Nasce o riso, o pranto tolo. E outra samba,
e outra canta e eu rebolo.

Mão que de tanto bate que se abate o embate.
Desilusão, um toque, um tchau e um "vai-te...".
À merda, é claro. Porque pandeiro é malcriado
e de tanto apanhar fez-se meu criado.

Guilherme Assen, poema ao meu velho.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A Bela e a Feira



Profetisa.

Ela vai para Austrália.
Depois de tudo, ela vai em boa hora.

Profetas, aos prantos, declamarão:
"Casará com um aborígene,
pintará o cabelo de roxo
e aprenderá a surfar!

Os amigos, todos eles,
em São Paulo vai deixar.
Por um sonho, maior que ela,
diz a Bella, que vale a pena buscar".

Rimas fracas de profeta.
Coração amigo de poeta fraco diz:
"Saudade. É tudo que vou guardar."

Já não sambo com mais ninguém.
Volte, minha nêga.
Volte e me faça sambar.

Guilherme Assen.

Sábado fui à Feira Moderna - lugar apaixonante. Loja de artesanatos e café durante o dia, bar e palco para o samba durante a noite. Um jardim bem cuidado e frequentadores bonitos. Cerveja Original e pinga original do nordeste, a Cajuína. A caipirinha é boa, mas isso já é uma redundância; com tantas qualidades e com bom samba qualquer limão e pinga ganha vida.

Garotas de vestidos azuis (ou verdes) também são vistas por esse lugar. Graça, beleza e samba. Samba de branco, de mulatos, de negros e de japoneses. Samba não tem cor, tem graça. Feira Moderna é um canto interessante na altura do número mil-duzentos-e-quarenta-e-poucos da rua Fradique Coutinho, Vila Madalena, São Paulo, São Paulo.

Para aqueles que não conhecem samba ou cajuína, fica a oportunidade. Para aqueles que conhecem garotas de vestidos verdes (ou azuis) corram pois estas costumam a sambar sozinhas, não falta homem, falta atitude. E para a Dona Isabella, que em breve deixará nosso Pindorama e rumará para sua aventura por terras australianas, toda a sorte e felicidade do mundo. Amo você e espero a volta da amiga para qualquer samba, qualquer dia desses.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ao Mestre, com carinho

"Os verdadeiros versos não são para embalar,
mas para abalar..."

- Mario Quintana






domingo, 6 de julho de 2008

Da nova série: "Clique no poema"


A Poesia agradece.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

do Lat. "florescere"

Reforma dos espaços estudantis da FFLCH-USP; nada mais polêmico. O centro acadêmico não está satisfeito com as mudanças, os estudantes, confusos, não sabem se apoiam ou não, os departamentos reclamam que a faculdade precisa de uma reforma há muito tempo e o barulho, sempre ele, conspira contra as aulas de Estudos Literários.

Aprovada ou não, a reforma acontece. Tábuas cercam o canteiro e o que era um terreno entre mato e faculdade hoje é espaço para a mudança.

Fica, desse polêmico episódio na história do curso de letras da Universidade de São Paulo, a lição pichada nas, antes feias, tábuas que protegem a obra:

Foto: Larissa "Lalá" Cabrini

"...Rompeu o asfalto". Chego a pensar que o asfalto foi feito para ser rompido.

sábado, 28 de junho de 2008

Core de Cor

Passageiro de Core

Assumo, sou passageiro.
Desde então, vivo melhor.
De amores, vivo solteiro,
desilusões, sei de cor.

Guilherme Assen


Copos de cerveja e amigos queridos dando risada: Férias chegaram! Algumas caipirinhas, pinga e limão, sempre elas, e algumas redondilhas maiores, grandes antepassadas, surgem. Primeiro dia de descanso e a poesia se faz presente. Seja bem vindo sentimento de liberdade, que não seja eterno posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure.

Quanto ao livro de García Márquez, Santiago Nasar morre e eu finalmente sei o motivo. é o companheiro certo. "Crônica de uma Morte Anunciada" é um típico García Márquez, todo o mais dispensa comentários.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Um Desespero Crônico Anunciado.

Em "Crônica de uma Morte Anunciada", Gabriel García Márquez escreve sobre o inevitável e, não apenas nesse caso, o óbvio: a morte. A personagem do conto, Santiago Nasar, levanta-se às 5h30m da manhã de uma segunda-feira preocupando-se com a visita de um certo bispo em sua cidade. Sem saber, sonhos e outros sinais levam a conclusão do conto... Ele vai morrer! Como? Por quê? Só García Márquez e quem leu o livro até o final sabem. Eu, com minhas duas faculdades insistindo no massacre de trabalhos e textos, não consigo matar essa leitura. Menos de um mês para tudo isso acabar. Desespero anunciado. Copos de cerveja e noites bem dormidas que esperem.

E pensar que o penar de tudo isso é passar um mês sem nem sentir os passos dela.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sobre o Vago

Um vago passeio pelo Shopping, desculpem o pleonasmo, e uma constatação: é o máximo de nossa civilização. Vitrines, chão limpo, pessoas educadas e até mesmo vendendores educados. Casa das cuecas, dos computadores, das camisas de engomadinhos e até gravatas encontram-se por ali. É o comum que comunista algum sonhou encontrar. Todos somos igualmente nulos e, vestidos iguais e com cortes de cabelo muito parecidos, almoçamos as mesmas caríssimas porcarias. Só há um problema com este acumulado: as lojas de sabonetes não respeitam os outros cheiros.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Brecht, o Bertolt

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."

- Bertolt Brecht
Bertolt Brecht nasceu em 10 de fevereiro de 1898 e morreu em 14 de agosto de 1956. O poeta e dramaturgo alemão conviveu com conflitos que marcaram uma época: as duas grandes guerras mundiais e o início da Guerra Fria.

Ao ler algumas pesquisas eleitorais que já circulam por alguns jornais, lembrei desta citação de Brecht que li há algumas semanas. Brecht não teve a oportunidade de presenciar as nobrezas da moderna política brasileira , acredito que seria um prato cheio para suas poesias e peças teatrais.

Enxergo em meu próprio país, e concordo que não sou ninguém para enxergar, uma completa dominância das vacas - bestas ruminantes, são animais estáticos e sem graça das quais as tetas são abusivamente expremidas por alguns fazendeiros donos do pasto.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Sobre Ênclises e Amor

Buscas Enclisiásticas

Busco-me
e busco-te
e busco-me
e pouco acho-me
e já não acho mais nada.


Ênclises são tão chatas.
Buscas, mais ainda.
Procurar-te-ei, então.

08/05/2008

Peço desculpas aos gramáticos.